Preocupação com o futuro:
Ao mesmo tempo que se anunciam investimentos e aumento em cerca de 25% da população da cidade, pesquisa da Unicamp constata problemas com a qualidade do ar em Campinas e região de Barão Geraldo.
Veja
também: O que mais mata no
mundo

Edição
210 - 22 de abril a 4 de maio de 2003
Metais
agravam poluição em Campinas
Pesquisa
constata níveis significativos de zinco, níquel e
cromo nas amostras de material em suspensão
JOSÉ
PEDRO MARTINS
A
poluição atmosférica em Campinas tem alcançado índices comparáveis
aos de locais extremamente degradados na América Latina, como a região
metropolitana de São Paulo e a capital do Chile, Santiago. Esta é
uma das conclusões de pesquisa realizada na Faculdade de Engenharia
Civil (FEC) da Unicamp e que contou com o respaldo financeiro da Fundação
de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Como parte do
instrumental de pesquisa foram utilizadas técnicas avançadas de análise
desenvolvidas no Laboratório Nacional de Luz Síncroton (LNLS), o que
permitiu a identificação de metais de potencial impacto na saúde
humana entre os elementos encontrados no material particulado em
suspensão na região central de Campinas.
Foram
usadas técnicas avançadas de análise
"Os
resultados da pesquisa mostram a necessidade de medidas urgentes de
prevenção, para evitar que a poluição atmosférica em Campinas
atinja índices cada vez mais críticos como na Grande São
Paulo", afirma a física Silvana Moreira,
professora do Departamento de Recursos Hídricos da FEC-Unicamp,
responsável pela coordenação dos trabalhos. Ela foi a orientadora
da tese de doutorado "Estudo da contaminação ambiental atmosférica
e de águas superficiais, empregando a fluorescência de raios x
dispersiva em energia (EDXRF) e reflexão total (TXRF)", de Edson
Matsumoto, que reuniu grande parte dos dados apurados durante a
pesquisa.
A
professora Silvana Moreira observa que os parâmetros da qualidade do
ar monitorados regularmente pela Companhia de Tecnologia de Saneamento
Ambiental (Cetesb), no centro de Campinas, se limitam a substâncias
como fumaça e os chamados gases SOx e NOx. A idéia da pesquisa era,
então, empregar métodos mais sofisticados de análise, com o propósito
de radiografar a natureza do material particulado em suspensão na
atmosfera.
As
normas usadas na pesquisa, de acordo com a sua coordenadora, foram as
da legislação brasileira e de órgãos como a EPA, a agência
ambiental do governo dos Estados Unidos. As técnicas viabilizadas
pelo Laboratório Nacional de Luz Síncroton, segundo a professora
Silvana, foram fundamentais para permitir uma análise mais fina das
amostras colhidas, o que não seria possível pelos métodos e
equipamentos convencionais à disposição dos organismos públicos de
controle da qualidade do ar.
O
material para análise foi coletado em dois postos, um no próprio
local utilizado pela Cetesb para monitoramento no centro de Campinas,
e outro no posto meteorológico do Centro de Pesquisas Agrícolas (Cepagri)
da Unicamp, no campus da Universidade. Mais de 400 amostras foram
coletadas, em períodos de tempo diários e semanais e em diferentes
estações do ano, a seca do Outono-Inverno e a chuvosa do Verão.
A
preocupação central era com a análise do material particulado fino,
portanto inalável pelo ser humano e que pode atingir o sistema
respiratório. Como um posto de coleta estava situado no ponto central
da área urbana e outro em ponto distante, no campus da Unicamp, a
expectativa inicial era de que fossem encontrados resultados díspares
em termos de composição do material particulado. Foi
uma grande surpresa, nesse sentido, a conclusão de que era
equivalente a presença de componentes de origem industrial nas
amostras coletadas nos dois postos.
No
posto do centro de Campinas, a média de componentes de origem
industrial no material particulado fino foi de 26% (considerando o
conjunto de componentes) durante o Outono/Inverno e de 23% no Verão.
No posto do Cepagri/Unicamp, essa média foi de 26% durante o
Outono/Inverno e de 28% durante o Verão. A interpretação dos
responsáveis pela pesquisa é a de que essa presença significativa
de componentes de origem industrial no material particulado fino
coletado no posto da Unicamp, situado a uma razoável distância da
região central de Campinas, deve-se provavelmente à influência do pólo
petroquímico de Paulínia. Segundo a professora Silvana Moreira, essa
hipótese pode ser comprovada na próxima etapa prevista da pesquisa,
que é a da identificação das fontes de poluição industrial na
região de Campinas.
A
nova etapa, de acordo com a coordenadora do estudo, poderá igualmente
identificar a origem dos metais de alto impacto na saúde humana,
encontrados na análise das amostras coletadas. Foram encontrados, de
fato, níveis significativos de metais como zinco, níquel e cromo nas
amostras de material particulado fino, especialmente naquelas
coletadas no posto da área central de Campinas. Alguns desses metais,
observa a professora Silvana, têm efeito cumulativo no organismo
depois de inalados e absorvidos. Os índices de metais detectados nas
amostras coletadas em Campinas são comparáveis aos de índices
encontrados em outras pesquisas universitárias realizadas na Grande São
Paulo e na capital chilena, Santiago, áreas conhecidas por seus altos
patamares de poluição atmosférica.
Nota
a professora da FEC-Unicamp que a pesquisa desenvolvida em Campinas
mostrou que em diversos momentos a emissão de poluentes atmosféricos
na cidade ultrapassa os limites permitidos pela legislação observada
pela Cetesb. Isso ocorre especialmente durante os períodos de longa
estiagem, entre julho e setembro.
Diante
dos dados coligidos e analisados, a professora Silvana Moreira
considera que a mesma preocupação hoje observada com a qualidade da
água deveria ser direcionada para a qualidade do ar em áreas
metropolitanas como a de Campinas. Mas para que isso aconteça a
pesquisadora entende que devam ser aprimorados os recursos à disposição
dos órgãos responsáveis pelo monitoramento da qualidade do ar
respirado nos centros metropolitanos.
Contaminação
chega às águas
A
pesquisa desenvolvida na FEC-Unicamp também envolveu a análise de
amostras da água das chuvas em Campinas. Os resultados comprovam a
presença de componentes de origem industrial como metais na água das
chuvas, tendo como conseqüência a contaminação do solo, dos rios e
lençóis freáticos, além do seu impacto para a saúde humana.
Foram
analisadas amostras de água coletadas em quatro pontos de Campinas:
as Estações de Tratamento de Água (ETAs) 1 e 2, no bairro Swift, a
ETA do rio Capivari, próxima ao Aeroporto de Viracopos, e as ETAs 3 e
4 e Estação de Captação de água para a cidade no rio Atibaia,
ambas no Distrito de Sousas. A análise das amostras coletadas indicou
uma média de 22% de elementos de origem industrial na composição
total, ao lado de 64% de elementos em ressuspensão do solo
(associados à poeira) e 14% de cloreto, o que foi interpretado pela
utilização de cloro no processo de tratamento da água executado
pela Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S.A (Sanasa).
A
presença de componentes de origem industrial nas amostras coletadas
na ETA do rio Capivari e na Estação de Captação de água em Sousas
foi em média de 8%. O número indica que a influência das fontes
industriais é maior nos pontos mais próximos da área central de
Campinas. Mais um motivo, segundo a professora Silvana Moreira, para
uma atenção redobrada com a qualidade do ar nas áreas centrais da
cidade.
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Campinas
herdará R$ 6 bi em investimentos
Montante será aplicado em empreendimentos na cidade
nos próximos dez anos, segundo estimativas da atual
administração municipal
Maria Finetto
Do Correio Popular
finetto@cpopular.com.br
Campinas é a mais nova bilionária do interior do
Estado. A cidade herdará R$ 6 bilhões de
investimentos nos próximos dez anos, segundo
estimativas da atual administração. O montante
corresponde a soma de 100 projetos que foram
listados como viáveis pela Prefeitura dentro do
Plano Executivo de Desenvolvimento do município.
O dinheiro virá em três parcelas. A primeira,
segundo a própria Prefeitura, é de R$ 1 bilhão
prevista para este e o próximo ano. Outros R$ 2
bilhões serão investidos em 2005, 2006 e 2007. Os
R$ 3 bilhões restantes entrarão em 2008 até 2012.
A maioria dos recursos vem de empreendimentos
programados por grupos privados ou proprietários de
gigantescas glebas espalhadas por todos os cantos da
cidade e que vão ser loteadas ao longo deste período.
São terras que pertencem, por exemplo, ao
ex-banqueiro, Aloysio Faria, dono de uma das maiores
fortunas do País; a Fundação Bradesco e ao Grupo
Brasilinvest, do empresário Mário Garnero, um dos
grandes nomes do mundo financeiro e também da política.
O Plano Executivo de Desenvolvimento lista projetos
que estavam esquecidos nas gavetas das secretarias
municipais há pelo menos quatro e até dez anos na
fila de espera por uma análise ou aprovação. A
relação traz 100 processos que, na verdade,
correspondem a metade de 200 documentos amontoados
durante todo este tempo.
Mutirão
Este primeiro pacote de empreendimentos está
sendo aberto pela administração municipal que,
agora, fala até em mutirão para agilizar a análise
e a aprovação dos projetos.
Se o discurso passar à prática, a cidade terá,
por exemplo, 70 mil novos empregos com a execução
dos 100 empreendimentos. Desse total, 22 mil vagas,
segundo cálculos da Prefeitura, serão abertas já
nos próximos dois anos, período em que os projetos
devem começar a sair do papel para os canteiros de
obras. Há empreendimentos dos mais diferentes
segmentos e setores, desde condomínios fechados até
bairros inteiros e autosustentáveis dentro destas
glebas.
O projeto para a Fazenda Sete Quedas, da Fundação
Bradesco, por exemplo, prevê a oferta de mais 18
mil novas unidades habitacionais em Campinas. O
projeto do ex-banqueiro Aloysio Faria prevê até
uma universidade dentro da gleba e o projeto do
empresário Mário Garnero terá uma nova via de
acesso que ligará Campinas a Sousas.
Habitação
Junto a outros projetos de loteamentos, a Prefeitura
estima que sejam construídas no total e em todo o
município 65 mil novas unidades habitacionais, o
que provocará um acréscimo de 25% da população
atual.
A Prefeitura se diz empenhada em organizar e
disciplinar o território campineiro para receber os
novos empreendimentos, sem comprometer a qualidade
de vida da cidade. “Para cada projeto teremos um
empreendimento social”, diz Lauro Camara
Marcondes, secretário de Gabinete e de Governo da
Prefeitura.
Os projetos contemplam, por exemplo, espaços para
áreas públicas, como creches, praças, postos de
saúde. Marcondes calcula que do R$ 1 bilhão
previsto para 2003 e 2004, R$ 35 milhões serão
investimentos sociais.
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Região
atrai investimentos constantes
Os R$ 6 bilhões vêm se somar a outros empreendimentos já
realizados na cidade; empresários pedem ‘boa vontade’ do poder público
Os R$ 6 bilhões de investimentos previstos para Campinas nos próximos
10 anos, listados no Plano Executivo de Desenvolvimento da Prefeitura,
não são tão aquém do que possa parecer pelo seu expressivo valor.
O montante é condizente, na opinião de especialistas, quando
comparado com os números de recursos que foram destinados em anos
anteriores ao município e alguns de seus vizinhos.
No entanto, segundo os mesmos analistas e empreendedores, para que
eles possam ser efetivamente realizados é preciso a adoção de uma série
de medidas e estruturas, a começar pela desburocratização do
processo de análise e aprovação dos projetos pelo poder público.
Campinas e região receberam cerca de R$ 14,2 bilhões de
investimentos em novos projetos industriais, comerciais e serviços ao
longo de 1998 a 2002, segundo dados da Associação Comercial e
Industrial de Campinas (Acic). Se este mesmo valor for distribuído ao
longo deste período de cinco anos, a média de investimentos
corresponde a R$ 2,8 bilhões por ano, sendo que somente Campinas
responde por 75% do total. Os R$ 6 bilhões listados pela Prefeitura são
divididos em anos: R$ 1 bilhão neste e no próximo ano, mais R$ 2
bilhões em 2005, 2006 e 2007 e R$ 3 bilhões nos anos seguintes até
2012.
Indústrias
Os dados da Acic mostram que Campinas e região receberam US$ 6,9 bilhões
ou R$ 11,5 bilhões ao longo de 1998 a 2002 somente para novos
projetos industriais. Os investimentos mais expressivos foram em
telecomunicações e informática, seguidos da indústria automotiva,
de eletrodomésticos, farmacêutica, química e química fina e, na
região, do setor têxtil.
Esse valor poderia ainda ser maior, o eqüivalente a R$ 2 bilhões a
mais, com os projetos de energia nas termelétricas de Paulínia e a
da Carioba 2 que, até então, não aconteceram.
No mesmo período, de 1998 a 2002, o comércio recebeu mais de US$ 700
milhões ou R$ 1,4 bilhão em novos shopping centers, supermercados,
centros de distribuição e outros varejos. Outro setor que progrediu
bastante nestes últimos cinco anos foi o de serviços que recebeu US$
800 milhões ou R$ 1,3 bilhão em novos investimentos em hotelaria,
entretenimento (sem considerar os parques temáticos da região) e
empreendimentos imobiliários. Neste pacote estão, inclusive, os US$
300 milhões anunciados para o megaterminal aéreo de Viracopos.
Laerte Martins, economista da Acic, diz que os projetos que estão
retidos há anos na fila de espera da aprovação da Prefeitura
poderiam ter entrado para a “leva de investimentos” realizados de
1998 para 2002. Ele torce para que esses novos projetos saiam de vez
do papel, mas faz uma ressalva sobre o Plano Executivo de
Desenvolvimento. “Os projetos são viáveis, mas é preciso
considerar se há infra-estrutura do poder municipal para que estes
investimentos possam se concretizar”, argumenta.(Maria Finetto/Do
Correio Popular)
Pacote
da Brasilinvest deve chegar a R$ 1 bi
Grupo do empresário Mário Garnero tem uma dezena de
empreendimentos para vários bairros de Campinas e também para Sousas
O Grupo Brasilinvest, do empresário Mário Garnero - um dos mais bem
sucedidos do País – tem uma dezena de empreendimentos para
Campinas. São condomínios de todos os tamanhos e bolsos espalhados
por toda a cidade, do centro a outros bairros vizinhos e até Sousas,
distrito, aliás, onde moram o próprio empresário e sua família.
O pacote de investimentos para a cidade de Campinas e distrito é bem
generoso: R$ 210 milhões para começar a implantação de pelos menos
nove empreendimentos e mais uma projeção de vendas que pode chegar a
R$ 1 bilhão até 2010, segundo cálculos de Fernando Garnero, diretor
presidente do Grupo Brasilinvest.
O maior dos empreendimentos é o Três Pontes do Atibaia, três
loteamentos residenciais num terreno de mais de três milhões de
metros quadrados, em Sousas, divididos em lotes que variam de mais de
mil metros quadrados até quatro mil metros quadrados cada, voltados
para o segmento A e B e dotados de infra-estrutura e sistema de
segurança das mais modernas que existem hoje no mercado mundial.
O Três Pontes do Atibaia consumirá R$ 120 milhões só para a
infra-estrutura. O grupo já pediu a aprovação da Prefeitura para
construir também com recursos próprios um novo acesso de 13 quilômetros
que ligará a região da Vila Brandina, próxima ao Shopping Iguatemi,
atravessará a rodovia D.Pedro I, sentido Leroy Merlin e levará até
a entrada do condomínio em Sousas. Outro pedido em fase de aprovação
é a construção de um pólo educacional dentro do condomínio.
Constelações
É o próprio Fernando Garnero quem lista os benefícios destes
empreendimentos para Campinas. “Geração de empregos diretos e
indiretos na ordem de 1,5 mil novos postos de trabalhos; geração de
receita para o município; introdução de novas tecnologias no campo
da construção civil e exportação de obras, bens e serviços com
participação da mão- de-obra local, além da questão social”.
Um bom exemplo voltado ao social é o empreendimento que está sendo
desenvolvido por um dos seus parceiros de negócios em Campinas, a
Marco Assessoria Imobiliária. São seis projetos de construção de
11 mil casas populares em algumas regiões mais carentes da cidade.
Serão quatro mil unidades no eixo da John Boyd Dunlop, nas
proximidades da fábrica da Pirelli, Jardim Satélite Íris, e mais
sete mil casas vizinhas ao distrito industrial, entre os jardins
Esplanada e Ademar de Barros. O valor estimado do investimento é de
R$ 70 milhões.
Os empreendimentos têm nomes de constelações: Centauro e Lira. “O
lançamento dos quatro mil lotes está previsto para este ano. Os
outros sete mil estão em fase de diretrizes urbanísticas, mas a
implantação deve ocorrer nos próximos dois anos”, diz Marco
Antonio Gonçalves. Ele explica que os empreendimentos vêm ao
encontro da carência de mais unidades habitacionais na cidade, que
foi se agravando nos últimos anos por conta da própria morosidade do
poder público na aprovação de projetos desta natureza.
O grupo Brasilinvest tem também projetos para a classe média. Um
deles é o condomínio vertical Morada do Sol a ser lançado num
terreno aos fundos da Cidade Judiciária com 254 apartamentos distribuídos
em 17 torres de até quatro andares. O investimento é de R$ 10 milhões.
Outro é o condomínio das Ostras que tem duas fases de construção,
num terreno localizado no Jardim Santa Cândida cujos investimentos
também se aproximam de R$ 10 milhões. (Maria Finetto/Do Correio
Popular)