CORREIO
POPULAR 30/09/2004 Cidades
Justiça
paralisa mudanças no zoneamento
TJ
mantém liminar suspendendo tramitação de projeto que altera 20 áreas
de Campinas, entre elas Cambuí, Nova Campinas e Barão Geraldo
Zezé de Lima
Da Agência Anhangüera
zezelima@rac.com.br
A Justiça paralisou, na última quinta-feira, dia 20, alterações no
zoneamento de Campinas que vinham sendo tentadas por parte dos
vereadores desde o ano passado. Também determinou que seja aberto um
processo criminal contra o presidente da Câmara, Carlos Francisco
Signorelli (PT), por desobediência a ordem judicial.
A paralisação ocorreu em função do julgamento, pelo Tribunal de
Justiça de São Paulo (TJ-SP), do mérito de um agravo de instrumento
impetrado pelo Legislativo de Campinas contra uma liminar do juiz
Antonio Manssur Filho, de junho passado. A liminar suspendeu a tramitação
do Projeto 206/04, de autoria do vereador Angelo Barreto (PT).
A matéria, que tratava de modificações em duas ruas, recebeu um
total de 19 emendas, que elevaram o número das mudanças para 20 áreas
de Campinas, nos bairros Cambuí, Parque Taquaral, Nova Campinas e
distrito de Barão Geraldo, entre outras.
Ao reafirmar a suspensão da tramitação do projeto de Barreto e suas
19 emendas até o julgamento final do mérito do mandado de segurança
impetrado por quatro associações de moradores de bairros, o TJ se
colocou no caminho dos vereadores que, nesse momento, tentam, pela
terceira vez, realizar as mudanças que não conseguem desde 2003.
A primeira tentativa foi por meio do Projeto de Lei 350/03, do
vereador Sebastião dos Santos (PMDB), protocolado no final do ano
passado e que previa duas alterações de zoneamento. O projeto acabou
arquivado em abril último, sem poder ser submetido à segunda votação,
juntamente com as emendas que alteravam 18 áreas, porque as duas
modificações pedidas por Santos em seu projeto já haviam sido
contempladas em uma outra matéria que tramitou mais rápido pela Casa
e transformou-se na Lei 11.764/03.
Os vereadores pegaram as emendas que estavam no projeto arquivado e
colocaram no projeto de Barreto, protocolado em março passado. As
emendas e o próprio projeto chegaram a ser aprovados em primeira
discussão (legalidade), apesar dos apelos do Conselho Municipal do
Meio Ambiente (Comdema), Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano
(CMDU) e da própria Secretaria Municipal de Planejamento, que
condenaram a maior parte das mudanças propostas.
A suspensão da tramitação foi determinada pela liminar de Manssur
às vésperas da segunda votação (mérito). A Câmara recorreu ao
TJ, não conseguiu cassar a liminar e, ao invés de aguardar o
julgamento do mérito do recurso, que poderia, inclusive, autorizar a
evolução do projeto dentro do Legislativo, decidiu prosseguir a
tramitação e arquivá-lo em agosto passado.
O arquivamento permitiu que os vereadores protocolassem novamente,
dessa vez individualmente, grande parte das alterações, que
encontram-se na Câmara como projetos. São, ao todo, nove projetos de
alteração de zoneamento tramitando atualmente. Cada um deles propõe
mais de uma mudança, que são as mesmas que estavam no projeto de
Santos e de Barreto.
Segundo os advogados Augusto César Gandolfo, Aurélio Eduardo de
Souza Ribeiro e Denise de Souza Ribeiro, responsáveis pelo mandado de
segurança que conseguiu a liminar de Mansur, o arquivamento do
projeto não é reconhecido pela Justiça. “Para a Justiça, o
projeto está onde estava quando a tramitação foi suspensa”,
explicou Gandolfo.
Todas as mudanças no zoneamento propostas no projeto de Barreto estão
sub judice e não podem, segundo os advogados, ser concluídas ou
descartadas. Deverão aguardar o julgamento do mandado de segurança.
Câmara é acusada pela 3ª vez
A Câmara de Campinas está sendo acusada, novamente, de descumprir
ordem judicial por ter colocado em votação e arquivado o Projeto de
Lei 206/04, de autoria do vereador Angelo Barreto, que, junto com 19
emendas, alterava o zoneamento em 20 regiões da cidade. Por decisão
liminar, o projeto estava suspenso e não poderia tramitar. É a
terceira vez que o Legislativo de Campinas é acusado de desobediência
e a segunda que um inquérito criminal apura os atos do presidente da
Casa, Carlos Signorelli.
A primeira desobediência apurada em inquérito foi no final do ano
passado porque Signorelli colocou em votação um projeto de Sebastião
dos Santos (PMDB) que, entre outras 33 mudanças de zoneamento e perímetro,
alterava para urbana uma área rural da Fazenda Santa Paula, em Barão
Geraldo, que encontra-se sub judice em uma ação movida pelo Ministério
Público Estadual (MPE).
Em junho passado, o presidente, alegando não ter recebido por fax uma
liminar, colocou em votação o projeto de lei que criou o Plano de
Cargos, Carreira e Salários do funcionalismo público municipal.
Aprovado, o projeto foi sancionado na mesma noite pela prefeita
Izalene Tiene (PT) e publicado no dia seguinte no Diário Oficial do
Município (DO). Não houve medida judicial contra Signorelli ou
Izalene porque ambos alegaram não ter recebido a ordem para suspender
a votação e, se fosse o caso, a sanção.
A acusação, desta vez, é porque a liminar do juiz Antônio Manssur
suspendeu todo o processo em 14 de junho passado. A Câmara recorreu
da decisão ao TJ-SP, por meio de um agravo de instrumento, mas não
conseguiu cassar a liminar. Na última quinta-feira, os
desembargadores julgaram o recurso no mérito. Novamente, a posição
foi desfavorável ao Legislativo.
O presidente da Câmara nega que tenha desobedecido a Justiça.
Signorelli informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que
colocou o pedido de arquivamento feito por Barreto em votação porque
entendeu que esse era o desejo do Judiciário. “O entendimento do
presidente foi que a Justiça havia determinado que não fosse dado
prosseguimento ao projeto. Por isso ele foi votado e arquivado”,
informou a assessoria. (ZL/AAN)
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