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Joana Angélica |
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Joana
Angélica era filha de José Tavares de Almeida e D. Catarina Maria da
Silva, tendo nascido em Salvador. Aos 20 anos, em 21 de abril de 1782,
entra para o noviciado no Convento de Nossa Senhora da Conceição da
Lapa, na capital baiana.
Ali foi escrivã, mestra de noviças, conselheira, vigária e, finalmente,
abadessa.
Ocupava a direção do Convento, em fevereiro de 1822, quando a cidade
ardia de agitação contra as tropas portuguesas do Brigadeiro Inácio
Madeira de Melo - que tinham vindo para Salvador desde o Dia do Fico.
Grande resistência opunham os nativos baianos: no ano anterior (1821) a
cidade já tinha sido palco de revoltas. A posse de Madeira de Melo tinha
sido obstada, em 18 de fevereiro, mas a superioridade das forças do
Brigadeiro impingiram a derrota dos nativos.
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Soldados e
marinheiros portugueses se embriagam e cometem excessos pela
cidade, comemorando e, a pretexto de perseguir eventuais
"revoltosos" atacam casas particulares e, continuando a
sanha desenfreada pelo dia seguinte, tomam as ruas e
dirigem-se ao Convento da Lapa.
Sólida construção colonial, ainda hoje existente na Capital
Baiana, o Convento da Lapa compõe-se de uma clausura, cuja
principal entrada é guarnecida por um portão de ferro.
Os gritos da soldadesca são ouvidos no interior.
Imediatamente a Abadessa, pressentindo certamente objetivos
da profanação da castidade de suas internas, ordena que as
internas fujam pelo quintal.
O portão é derrubado e, num gesto heróico, Joana Angélica
abre a segunda porta, postando-se como último empeço à
inusitada invasão. |
Conta a
tradição, reproduzida por diversos historiadores, que então exclamou:
"Para trás, bandidos. Respeitem a Casa de Deus. Recuai, só penetrareis
nesta Casa passando por sobre o meu cadáver."
Abrindo os braços, num gesto comovente, tenta impedir que os invasores
passem. É, então, assassinada a golpes de baioneta - penetrando no
sagrado recinto, onde encontram apenas o velho capelão, Padre Daniel da
Silva Lisboa - a quem espancam a golpes de coronhas, deixando-o como
morto.
Joana Angélica tornou-se, assim, a primeira mártir da grande luta que
continuaria, até a definitiva libertação da Bahia, no ano seguinte, a 2
de julho, data efetiva da Independência da Bahia. |