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. Enquanto o governo fala
em acabar com o analfabetismo no Brasil em quatro anos e construir a
escola ideal, o retrato atual do ensino no país mostra outros problemas
de difícil superação: 41% dos estudantes não terminam a educação
fundamental (da 1. à 8. série); 39% dos que estão nessa fase têm
idade superior à adequada -os alunos que
conseguem chegar ao ensino médio o fazem em 10,2 anos em média. Os estudantes ficam
apenas 4,3 horas por dia em sala de aula, com professores que ganham, em
média, R$ 530 mensais, sendo que quase a metade deles (46,7%) tem formação
de nível médio. Esse é o quadro
mostrado no documento «Geografia da Educação Brasileira 2001 , feito
pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) no
ano passado, na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e
divulgado ontem. O relatório se refere a dados que vão até 2001 e reúne
informações que tratam da infra-estrutura das escolas ao desempenho
dos alunos. Em relação à repetência,
os dados apontam que 21,7% dos alunos do ensino fundamental não
progrediram de série em 2000. -uma redução de 4,9
pontos percentuais se comparado a 1996. Com uma linha de
analise que especialistas do PT utilizavam para criticar o governo
anterior, o atual presidente do Inep, Otaviano Helene, disse que o
retrato da educação brasileira é alarmante e demonstra o atraso
escolar em todos os níveis. "A situação é incompatível com as
possibilidades econômicas que o Brasil tem”. Para explicar os dados
que considera alarmantes, Helene diz que são resultado da falta de
qualidade da escola pública, de professores mal preparados e mal
remunerados e também do custo induzido da escola, ou seja, o que a família
gasta para manter o aluno com alimentação, material etc. Para Helene, a evolução
dos índices educacionais nos últimos anos ficou abaixo do necessário.
"Precisamos melhorar as taxas além do que melhoraram”. Apesar de a taxa de
analfabetismo entre pessoas com 15 anos ou mais ter caído de 25,4% em
1980 para 13,6% em 2000, esse percentual representa 16 milhões de
brasileiros que não sabem ler e escrever um bilhete. O documento afirma ser
necessário concentrar esforços na erradicação do analfabetismo para
grupos de jovens. Trata-se de uma diretriz inadiável, com o sentido de
promover a inclusão social . A situação de alunos
do ensino médio não é diferente: de cada 100 que ingressam nessa
fase, 26 não conseguem terminar. Se considerada a distorção idade/série,
53,3% deles não têm idade adequada à série que cursavam. Desigualdade
regional Essa distorção é
apontada como um dos principais problemas da educação brasileira.
Avaliações mostram que alunos em atraso escolar têm desempenho
inferior aos que estão em séries próprias à idade. A distorção
idade-série também é um elemento da desigualdade regional. No Norte e no Nordeste 52,9% e 57,1%, respectivamente, dos estudantes do ensino fundamental estão com idade acima da apropriada para a série. No Sudeste, o percentual é de 24%; no Sul, de 21,6%; no Centro-Oeste, de 38%. Luciana
Constantino – da F. São Paulo – 12/03/2003 |