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Só 59% terminam o ensino fundamental

Enquanto o governo fala em acabar com o analfabetismo no Brasil em quatro anos e construir a escola ideal, o retrato atual do ensino no país mostra outros problemas de difícil superação: 41% dos estudantes não terminam a educação fundamental (da 1. à 8. série); 39% dos que estão nessa fase têm idade superior à adequada

-os alunos que conseguem chegar ao ensino médio o fazem em 10,2 anos em média.

Os estudantes ficam apenas 4,3 horas por dia em sala de aula, com professores que ganham, em média, R$ 530 mensais, sendo que quase a metade deles (46,7%) tem formação de nível médio.

Esse é o quadro mostrado no documento «Geografia da Educação Brasileira 2001 , feito pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) no ano passado, na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e divulgado ontem. O relatório se refere a dados que vão até 2001 e reúne informações que tratam da infra-estrutura das escolas ao desempenho dos alunos.

Em relação à repetência, os dados apontam que 21,7% dos alunos do ensino fundamental não progrediram de série em 2000.

-uma redução de 4,9 pontos percentuais se comparado a 1996.

Com uma linha de analise que especialistas do PT utilizavam para criticar o governo anterior, o atual presidente do Inep, Otaviano Helene, disse que o retrato da educação brasileira é alarmante e demonstra o atraso escolar em todos os níveis. "A situação é incompatível com as possibilidades econômicas que o Brasil tem”.

Para explicar os dados que considera alarmantes, Helene diz que são resultado da falta de qualidade da escola pública, de professores mal preparados e mal remunerados e também do custo induzido da escola, ou seja, o que a família gasta para manter o aluno com alimentação, material etc.

Para Helene, a evolução dos índices educacionais nos últimos anos ficou abaixo do necessário. "Precisamos melhorar as taxas além do que melhoraram”.

Apesar de a taxa de analfabetismo entre pessoas com 15 anos ou mais ter caído de 25,4% em 1980 para 13,6% em 2000, esse percentual representa 16 milhões de brasileiros que não sabem ler e escrever um bilhete.

O documento afirma ser necessário concentrar esforços na erradicação do analfabetismo para grupos de jovens. Trata-se de uma diretriz inadiável, com o sentido de promover a inclusão social .

A situação de alunos do ensino médio não é diferente: de cada 100 que ingressam nessa fase, 26 não conseguem terminar. Se considerada a distorção idade/série, 53,3% deles não têm idade adequada à série que cursavam.

Desigualdade regional

Essa distorção é apontada como um dos principais problemas da educação brasileira. Avaliações mostram que alunos em atraso escolar têm desempenho inferior aos que estão em séries próprias à idade. A distorção idade-série também é um elemento da desigualdade regional.

No Norte e no Nordeste 52,9% e 57,1%, respectivamente, dos estudantes do ensino fundamental estão com idade acima da apropriada para a série. No Sudeste, o percentual é de 24%; no Sul, de 21,6%; no Centro-Oeste, de 38%.

Luciana Constantino – da F. São Paulo – 12/03/2003

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