Muito interesse por futebol e pouco para a educação
 

Dentre as escolas públicas em Barão Geraldo, a Rezende e a Federici são as duas que têm até o ensino médio. As escolas Francisco Álvares, Dora Kanso e Dulce Nascimento têm o ensino fundamental completo até a 8ª série. As escolas Roque Magalhães, Maria Alice, Pedro de Oliveira e Sérgio P. Porto têm o 1º ciclo do ensino fundamental.

A escola Rezende ganhou em 2004, destaque de 1º lugar em ciências dentre as escolas públicas do estado de São Paulo. A Diretora Conceição recebeu homenagem pessoalmente do governador do estado.
A escola Federici, a partir de 2006, foi uma das poucas escolhidas para ter alunos em período integral em Campinas, mérito da Diretora Valéria, que está conseguindo levar o projeto inovador adiante com sucesso.

Todas as escolas têm destaques de eficiência. O assunto constantemente em pauta nestas nove escolas, é a presença dos pais, um estímulo essencial para o desenvolvimento e formação do aluno. Os pais devem conhecer a escola e seus professores para acompanhar o desenvolvimento dos filhos. Os filhos devem ver os pais na escola e saber que há uma comunidade zelando por eles. As crianças e adolescentes testam e buscam limites, que são determinados pelo meio em que vivem. É impossível completar a educação dos alunos e orientar quanto aos limites só com professores que convivem apenas 5 horas diárias, em 200 dias por ano. Isto é, durante 11,4% do tempo na vida da criança e do adolescente. Os pais são necessários para completar a educação.

Estas nove escolas de Barão Geraldo utilizam de várias estratégias para que os pais compareçam nas escolas e participem da educação. Temos visto: reuniões educativas, reuniões da APM, festas escolares, shows dos alunos, exposições de ciências, festas de aniversários das escolas, festas juninas, inaugurações de bibliotecas, caminhadas, palestras, jogos, aulas de pintura e culinária para familiares e outros.

Apesar dos esforços das escolas, poucas mães comparecem. Pai é muito difícil. A grande maioria (chega a 95%) nega R$10,00 para a APM no ato da matrícula e muitos deixam bem claro: é obrigação do estado educar de graça e vão embora a uma clara demonstração de que já fizeram a sua obrigação, que era matricular o filho, de agora em diante, o que acontecer é obrigação e responsabilidade do estado, volto no ano que vem.
Os alunos que  conseguem se formar com cultura e conhecimento dos limites, podemos considerar que foi uma questão de sorte - não encontraram empecilhos pelo caminho ou alguém especial ajudou os professores durante os 88% do tempo do aluno, que ele passa fora da escola.

Contrastando com este quadro triste de alienação paterna, temos observado uma verdadeira obsessão e acompanhamento nos mínimos detalhes do futebol nacional e internacional. Fruto do incentivo dos meios de comunicação, o brasileiro em geral, festeja mais quando seu time ganha do que quando seu filho ganha. Sofre muito, muito mais quando seu time perde do que quando seu filho perde. O choro, fogos e reação pós-jogo demonstram isto claramente. Quando o filho perde, o pai não chora, fica violento e xinga, afinal a culpa não é dele, é da escola. Às vezes é culpa da mãe, mas dele, nunca.
Nas escolas particulares a participação dos pais é maior do que nas escolas públicas e muitos assumem seu papel na educação, mas não todos, a alienação
também é grande.

Se os canais de comunicação oferecem entusiasmos e alegrias que conduzem adultos, crianças e adolescentes para onde querem comercialmente, deveria haver uma contrapartida com diretrizes e orientação educacional adequada, discutida e aprovada, principalmente para as crianças e adolescentes.

Democracia e liberdade comercial não podem servir de argumentos para alterar o objetivo de um planejamento escolar nem ser concorrente dele, como está ocorrendo. Censura com fins políticos é corriqueira no Brasil, por que não censura em favor da educação, possivelmente a única viável?

Muitos autores afirmam que a TV, a Internet e os CD´s abrem as portas para um tesouro de informações. Só se for para grupos minoritários ou em outro país. Aqui, as Diretrizes Educacionais, Parâmetros Curriculares, Temas Transversais, Rousseau, Piaget, Paulo Freire, todos, perdem fácil para os entusiasmados sistemas de comunicação com suas danças da garrafa, shows e similares que não têm nada de tesouro.

P
romover discussões se o método fônico é melhor que o método construtivista ou outros, pode ser útil para uma minoria de escolas e professores, mas nada resolve para a grande maioria dos alunos, que depois de um aprendizado ineficiente, nunca mais vão ler um livro, só vão ler propagandas, servir às pretensões comerciais, à cultura de jovens ensaboadas em banheiras e às aspirações de ser mais um cantor ou jogador milionário. Devemos, primeiro, promover discussões sobre os tipos, interferências e conseqüências na educação que queremos para as nossas crianças, que serão os futuros pais e quebrar este ciclo de indiferença, que só serve às pretensões de poucos, com prejuízo para o futuro da nação que está, cada vez mais, se distanciando culturalmente das outras em desenvolvimento.

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 a. morelli

 

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