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Barão em Foco Muitas portas para o mercado de trabalho se fecham para os "sem-diploma . A necessidade do certificado é tão evidente que há quem recorra a documentos falsos para ter um posto. Assim, alimentam outro mercado: o das fraudes. Na semana passada, a reportagem da Folha comprovou a existência de uma rede de venda de diplomas de ensinos médio e superior em São Paulo. Situados no centro da cidade, em frente a um posto da Guarda Civil Metropolitana, os falsificadores aguardam clientes desempregados ou pessoas que passaram em concursos e precisam do certificado. "O histórico de ensino médio custa R$ 200 e fica pronto em uma hora. Ninguém teve problema , conta o vendedor, que se apresentou como Luís. Depois de entregar uma cópia da carteira de identidade, foi preciso esperar 50 minutos para ter o diploma em mãos. O documento leva os carimbos da E.E.P.S.G. Dr. Alanco Silveira e da secretaria estadual de educação e foi impresso em papel envelhecido -por sugestão do vendedor, a data de emissão é 1996. "Assim, não paréce que você ficou tanto tempo fora da escola», opina. Pana entregar o histórico escolar em uma universidade, ele orienta. "Faz uma cópia autenticada. Não entrega o original». E finaliza. "Depois, vem aqui que a gente providencia o diploma de curso superior. Pode escolher a faculdade. Custa R$ 1.500 e fica pronto em um dia». Procurado pela Folha, o diretor da da E.E.P.S.G. Dr. Alarico Silveira, José Oliveira Santos, afirmou tratar-se de um documento falso, que deve ter sido feito por uma "quadrilha . Ele diz que esse é o terceiro caso do qual tem ciência e que já reportou os outros dois à secretaria de educação. A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo confirma que a escola já foi alvo de falsificadores de documentos, que vão sendo anulados de acordo a legislação. Toda vez que se desconfia de sua autenticidade, ele deve ser mandado para verificação na secretaria de educação , explica Maria Travam, assistente técnica da Cogsp (Coordenadoria de Ensino da Região Metropolitana da Grande São Paulo). Profissionais a menos A proliferação de diplomas e históricos escolares falsos atingiu a Febem (Fundação Estadual do Bem-Estando Menor). Depois de uma denúncia anônima, a instituição começou a verificar a autenticidade dos certificados. Até agora, foram investigados 824 funcionários. Desses, 110 apresentaram documentos falsificados. "Já foram demitidos 26 funcionários por justa causa e outros 71 pediram demissão antes do fim do processo , informa Alexandre Perroni, corregedor-geral da Febem. Perroni calcula que o índice de 18% de fraudes verificadas nos funcionários investigados se mantenha quando analisados os documentos dos mais de 10 mil colaboradores. Depois de detectadas as falsificações, foram instituídos novos procedimentos ao RH. "E preciso trazer o histórico escolar original, e não mais a copia." O agente de segurança F.X., 30, questionou a possibilidade de existência de diplomas falsos até que a primeira denúncia foi comprovada. Ele diz que, hoje, o setor em que atua não está como quadro de funcionários completo. "Mas ainda não fomos prejudicados pela falta dos demitidos, considera. A Febem deve abrir um concurso neste mês para suprir as vagas abertas pelas demissões dos funcionários sem diploma. Fora do ninho Os conselhos de classe também verificam aumento no número de falsos profissionais. Na OAB-SP (advogados), foi constituída uma comissão de fiscalização. "[O exercício ilegal da atividade] cresce de forma alarmante", diz o presidente da comissão, Mauricio Scheinman. Ele diz que, de março, quando a iniciativa surgiu, a julho, houve 600 processos. O Crea-SP (engenharia, arquitetura e agronomia) pretende atuar em duas frentes: uma em forma de lei -transformando o exercício ilegal da atividade em crime - e outra com recadastramento digital. "Não é possível reduzir a zero os casos, mas eles diminuirão, prevê José Tadeu Silva, do Crea-SP. Raquel Bocato - Folha 16/07/2006 |