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Barão Geraldo
tem um Plano de Gestão Urbana (Lei 9.199 de 1996) que demorou
três anos para ser elaborado com técnicos da Unicamp, PUC,
associações de bairros e população do nosso distrito – um
exemplo de cidadania participativa existente apenas no primeiro
mundo. Com muito orgulho, podemos dizer que isto aconteceu aqui
em Barão Geraldo, Campinas, Brasil, ao lado da Unicamp e do Pólo
de Alta Tecnologia Nacional, entre 1994 e 1996.
Barão Geraldo chegou a cadastrar, em 2004, um Fórum Consultivo
com 22 associações de bairros devidamente legalizadas e
participativas dos rumos do distrito, sob o comando do Sr. Pedro
Vilas Boas, presidente do Fórum.
A região tornou-se um local agradável para morar e,
consequentemente, teve uma enorme valorização imobiliária, muito
maior do que na maioria das outras regiões de Campinas; então a
especulação imobiliária começou a burlar a Lei 9.199. Desde
então, com o
aval das autoridades competentes, estão entupindo Barão Geraldo com
loteamentos e construções irregulares.
A população local começou a contestar com manifestações e ações
judiciais, exigindo respeito à lei. O Barão em Foco acompanhou 8
processos judiciais da população contra as autoridades. Ganhamos
os 8, inclusive nas estâncias superiores. Atualmente há muito
mais processos.
veja os processos
veja o filme da última
manifestação
Os interessados nos empreendimentos imobiliários chamam esta
situação de desenvolvimento e progresso. A população
participativa local contesta, não vê progresso nos
empreendimentos concentrados aqui, acredita que isto aumenta a
diferenciação social e defende um futuro sustentável com a manutenção
da qualidade de vida.
Neste ano de 2008, o Poder Executivo ignorando a Lei 9.199,
criou outra lei, sem a participação da população do distrito. Esta nova lei foi
aprovada em junho pela Câmara, onde o Executivo conta com a
grande maioria. A população local continuou contestando com ações
judiciais, exigindo respeito à Lei 9.199, aprovada e consagrada
com grande participação popular.
As inúmeras
ações populares na justiça caminham com a conhecida lentidão e não são
acumulativas, ou seja, cada nova irregularidade, mesmo idêntica
e ao lado, há a necessidade de abrirmos outra ação, fazermos
novo processo e contratarmos novamente um advogado. Como as
irregularidades caminham em ritmo muito acelerado, haveria a
necessidade de abrirmos centenas de ações. Isto não é possível, pois os
moradores não têm o tempo necessário disponível. Com isto,
direta ou indiretamente, a justiça lava as mãos para as
ilegalidades que acontecem em Barão Geraldo.
Esta semana,
uma ação popular, solicitada pelos cidadãos participativos e
movida pelo Vereador Valdir Terrazan (PSDB) foi atendida; uma Liminar
da Justiça suspendeu a concessão de alvará para áreas
residenciais no Pólo de Alta Tecnologia. O motivo foram as diversas
ilegalidades naquele citado Projeto de Lei de autoria do
Executivo, sem a participação da população local.
Em entrevista publicada a um jornal da
cidade, o coordenador de
Comunicação da Prefeitura de Campinas, Francisco de Lagos,
afirmou que assim que a Justiça
notificar a Prefeitura da Liminar, fará a defesa do projeto.
“Não há nenhuma ilegalidade”, afirmou.
Ou seja, a população que vem batalhando há anos, o vereador e,
principalmente, a Juíza que concedeu a
liminar, não sabem nada de legalidade, só ele
sabe.
É compreensível que os empreendedores queiram vir para Barão
Geraldo e lutem para isto, mas é função do Poder Público
aplicar a eqüidade e só autorizar
empreendimentos de forma que toda a população da cidade
participe do desenvolvimento.
Nesta mesma entrevista, o coordenador afirmou que esta ação, ao
barrar este empreendimento imobiliário em Barão Geraldo, atrasa
o desenvolvimento de Campinas. De Campinas? Os empreendimentos
imobiliários não podem ir para as outras regiões da cidade?
Levando o desenvolvimento imobiliário, principalmente com
shoppings e praças de esporte para outras regiões, diminuiria a
diferenciação social e elevaria a auto estima da população
envolvida. Isto sim é desenvolvimento e não apenas incrementar a
construção de casas de luxo concentradas em uma região. Lembramos que a
contrapartida pode transformar um empreendimento inviável em viável
e que não há progresso urbano sem saneamento básico completo.
O fato que trava tudo, é que nem no
longínquo horizonte vemos intenção do governo em promover
cultura para a população entender e exigir isto. Seria suicídio
político para muitos.
Barão em Foco
Foto do Rio Anhumas que passa por
dentro
do CIATEC
O caldo escuro é o cocô de
300.000 campineiros que vai direto sem tratamento para este rio. O que é
progresso?
Pela foto é possível imaginar o cheiro. Muitos acreditam que
isto é conseqüência inevitável do progresso.

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