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Segundo o informe, há hoje cerca de 70 mil brasileiras vivendo de prostituição no exterior, e 25 mil pessoas são vítimas do trabalho escravo dentro do Brasil. Apesar de ter mostrado determinação em lidar com o problema, "o governo não cumpre integralmente os requisitos mínimos para a eliminação do tráfico, de acordo com o levantamento. Um foco de preocupação é o turismo sexual infantil, "especialmente em cidades praianas e resorts de luxo do Nordeste . "A mulher ucraniana que é atraída a Londres pela oferta falsa de ser modelo e então prostituída é tão vítima do tráfico humano quanto a adolescente brasileira que é forçada por sua família a se prostituir numa cidade turística à beira- mar , diz o texto. O Brasil é mencionado tanto como destino de trabalhadores escravos ou prostitutas quanto exportador desse tipo de mão-de-obra. Os destinos mais comuns dos brasileiros seriam países da América do Sul e Caribe, Europa Oriental, Japão, Estados Unidos e Oriente Médio. Já os países de onde mais viriam mulheres forçadas a se prostituir ou pessoas forçadas a trabalhar no Brasil seriam Bolívia, China, Coréia do Sul, Honduras, Paraguai, Peru, República Dominicana e Uruguai. O país foi rebaixado, justifica o relatório, "por não conseguir provar que aumentou os esforços para combater o tráfico humano e para aplicar penas mais efetivas contra as pessoas que exploram o trabalho forçado. A erradicação do trabalho escravo e o combate à prostituição infantil são duas das bandeiras da administração de Luiz Inácio Lula da Silva. "Todo o cenário de tráfico humano no Brasil é preocupante" , disse à Folha Eniily Goldman, do Centro de Direitos Humanos do Memorial Robert F. Kennedy, de Washington. "Mas o trabalho escravo preocupa mais". Há uma relação clara de causa-efeito entre a falta de reforma agrária, uma das promessas de campanha não cumpridas pelo presidente Lula, e o tráfico de homens para o trabalho forçado em latifúndios. O relatório, que ressalta também a prática de famílias mais abastadas brasileiras de utilizar mão-de-obra infantil para serviços domésticos, elogia a atuação da ONG Associação Brasileira de Defesa da Mulher, da Infância e Juventude e da Universidade de Brasilia. SÉRGIO DÁVILA - Folha 7 de junho 2006 |