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A colheita de trigo chega à reta final no Paraná, maior produtor nacional, e deve mostrar números bem diferentes dos esperados no inicio do plantio. Seca e geadas vão derrubar a produção para, no máximo, 1,2 milhão de toneladas. Muitas estimativas indicam apenas 1,1 milhão. O Rio Grande do Súl, o segundo maior produtor nacional, começa a colheita, mas também tem sérios problemas de produtividade. A safra deve ficar em 900 mil toneladas. Com fortes reduções nos dois principais Estados produtores, a safra nacional de trigo deste ano deve ficar abaixo de 2,5 milhões de toneladas -o menor volume dos últimos sete anos. A média de produção de 2000 a 2005 foi de 4,7 milhões de toneladas. A quebra de safra no Brasil ocorre em má hora. Os principais produtores e exportadores também estão com problemas, e os estoques mundiais são os menores dos últimos 35 anos. Quebra de safra e oferta menor de trigo no mercado internacional elevaram os preços para os maiores valores em dez anos, diz Fernando Muraro, da Agência Rural, de Curitiba. É neste cenário que o Brasil deverá importar pelo menos 8 milhões de toneladas para complementar o consumo, que é de 10 milhões de toneladas por ano. Lawrençe Pih, do moinho Pacífico, diz que, apesar desse cenário desfavorável, não vai faltar trigo. "Vamos buscá-lo onde estiver", acrescenta. O produto, porém, pode chegar mais caro. A Argentina, tradicional fornecedora do Brasil, além de limitar as exportações, deve ter produção de apenas 12,5 milhões de toneladas na safra 2006/7, devido à seca. A previsão inicial era de 15 milhões de toneladas. A Austrália, outro pais exportador, também terá forte quebra de produção. Tradicionalmente, os australianos produzem 25 milhões de toneladas. Nesta safra, as previsões mais pessimistas já indicam 13 milhões. O Canadá, sem problemas de safra, deverá ser um dos principais fornecedores do Brasil. Samuel Hosken, presidente da Abitrigo (Associação Brasileira da Indústria do Trigo), tem números um pouco diferentes. A necessidade de importação de trigo fora do Mercosul deverá ser de 1,6 milhão de toneladas. Esse cereal, com preços maiores, vai pesar no orçamento do padeiro, que acabará repassando-o para os consumidores. A pouca oferta de produto no mercado interno pode salvar os produtores, que há vários anos não conseguem obter nem os preços mínimos estipulados pelo governo.
Nem todos festejam Mas não são muitos os produtores que têm o que festejar. A maioria vai viver o drama do paranaense Fábio Barbante, que, enquanto olhava para as máquinas que colhiam o trigo em sua fazenda no norte do Estado, dizia: "Não paga nem o custo da colheita". De fato, terminada a colheita e feitas as contas, Barbante terá prejuízo. Para preparar a terra, plantar e colher, os produtores têm custo médio de 50 sacas por alqueire. Barbante obteve apenas 10 sacas na produção. O problema é que, ao não ser colhido, o trigo pode brotar e atrapalhar o plantio da soja, que começa a partir deste mês. Para o analista José Pitoli, a quebra de safra já elevou os preços internos do trigo de boa qualidade para R$ 500 por tonelada no Paraná. Ele acredita que o produto nacional deverá atingir de R$ 550 a R$ 600 em novembro e dezembro. Folha 03 outubro 2006- B8 |