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O Brasil ocupa o 64º lugar em transparência, segundo relatório divulgado pela Transparência Internacional (TI).
A
consciência do que é ser cidadão está cada vez mais difícil. O
desrespeito dos políticos para com a população é um hábito
corriqueiro que a maioria considera normal. Devemos considerar que
existem 63 paises onde a informação e prestação de contas são mais
transparentes do que aqui. É difícil para a população mensurar a nossa situação, pois
poucas pessoas conhecem o nome de 63 paises, daí até acreditar que tem
63 que tratam o cidadão com mais respeito do que aqui, é uma longa
distância.
No Índice de Percepção da Corrupção 2005, que se refere aos três últimos
anos, a nota do Brasil caiu de 3,9 para 3,7 (em uma escala de 0 a 10,
sendo 10 a melhor nota).
A queda foi pequena, mas mostra um retrato decepcionante dos primeiros
três anos da presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, que havia elegido
o combate à corrupção como uma de suas prioridades.
Esse retrato, no entanto, incluiu muito pouco dos recentes escândalos,
detonados em maio com as denúncias de corrupção nos Correios, já que o
estudo começou a ser fechado por volta de junho, quando a crise apenas
começava a envolver o PT e a ganhar maiores proporções.
Ranking
A menor nota do Brasil também fez o País perder posições no ranking
deste ano.
O Brasil caiu da 59ª para 62ª posição, ficando atrás de uma longa lista
que inclui países como Belize, Colômbia, Tailândia, Trinidade e Tobago,
Cuba e Chile, entre outros.
No topo do ranking, por outro lado, está a Islândia, com nota 9,7,
seguida da Finlândia (9,6), da Nova Zelândia (9,6), da Dinamarca (9,5),
de Cingapura (9,4) e da Suécia (9,2).
Esses países são o destaque positivo do ranking e estão no alto de um
total de 42 nações com nota igual ou superior a cinco.
A nota cinco é considerada pela Transparência Internacional como uma
espécie de divisor de águas: nota inferior é indício de sérios níveis de
corrupção.
Corrupção crônica nos BRICs
Nessa parte inferior da lista, estão mais de cem países, incluindo
Brasil, Rússia, Índia e China, que fazem parte do que do grupo
identificado pela Goldman Sachs como BRICs (sigla para os quatro
países).
Esse grupo de países, segundo as projeções do estudo Dreaming with BRICs:
The Path to 2050, elaborado por Dominic Wilson e Roopa Purushothaman,
seriam grandes potências no futuro.
O grau de corrupção nesses quatro países, segundo a Transparência
Internacional, é alto e não dá sinais de melhora.
A Rússia, por exemplo, é apontada como um destaque no índice deste ano,
entre os países com maior queda na nota, que caiu de 2,7 para 2,4.
Na China, a percepção do problema também piorou, e a nota caiu de 3,4
para 3,2.
A Índia foi o único país do grupo a apresentar ligeira melhora. A nota
passou de 2,8 para 2,9.
"Esperança"
Segundo um estudo elaborado pelo alemão Johann Graf Lambsdorff, que
avalia o resultado dos países analisados pela TI ao longo dos últimos
dez anos, os chamados BRICs não conseguiram combater o problema.
Apesar de se revelar um problema crônico nos países mais pobres,
Lambsdorff mostra, em um estudo, que mesmo países em desenvolvimento
conseguem enfrentar a corrupção com resultados positivos.
Na última década, nações como Estônia, México, Colômbia, Bulgária e
Tailândia conseguiram melhorar suas notas no ranking da Transparência.
"Isso mostra que existe esperança. Nenhum país está destinado à
corrupção", analisa Lambsdorff.
Segundo a Transparência Internacional, países desenvolvidos também
sofrem com um problema, apesar de em menor escala.
O estudo cita, por exemplo, o Canadá e a Irlanda como países que
sofreram uma piora na percepção da corrupção nos últimos anos.
Na maioria dos casos, porém, corrupção e subdesenvolvimento fazem parte
do mesmo quadro.
"A corrupção é uma causa importante da pobreza, bem como uma barreira
para superá-la", disse o presidente da Transparência Internacional,
Peter Eigen.
O Índice de Percepção da Corrupção elenca países de acordo com o grau de
corrupção entre autoridades públicas e políticos.
Reflete a percepção de empresários, executivos e analistas de dentro e
fora do país avaliado.
Extraído do site da UN. |