|
CONSCIÊNCIA: O PRIMEIRO REQUISITO
ESSENCIAL. Por atrás de cada
fotografia, deveria existir um motivo suficiente para justificá-la. Essa afirmação é
mais importante do que talvez se acredite, pois antes de tirar uma determinada foto, o
fotógrafo não deve dispensar uma compreensão integral dos motivos pelos quais deseja
batê-la. Tanto a fotografia tirada por ele quanto a qualidade dos resultados serão
enormemente influenciados por esta atitude consciente.
|

|
|
Etna
- Juliana Morelli |
|
A primeira
decisão a ser tomada consiste na escolha entre uma abordagem objetiva - onde se tenta
obter uma reprodução factual - ou subjetiva - e, nesse caso, o fotógrafo tentará
fazer um comentário e expressar sua opinião sobre uma cena ou pessoa. Todas as
fotografias subjetivas e, em menor escala, as objetivas, representam uma declaração pessoal
do autor, e sendo assim, ele sempre deve estar ciente daquilo que pretende expressar. |
Mas isso não é
tudo: além de saber por que deseja tirar uma fotografia em especial, ele deve também
determinar com exatidão, a causa de seu interesse.
Suponhamos que o
tema seja uma paisagem. Ela deve ser fotografada por ser bonita, ou impressionante? Ou por
ser inusitada? Qual dos seus componentes chamou a tenção do fotógrafo? O céu, as
ondulações formadas pelo terreno, a luz? Ou talvez o primeiro plano? Quer a resposta se
encontre alguns destes fatores ou em uma combinação deles, o fotógrafo precisa ter
consciência de todos os componentes da cena antes de decidir qual a melhor maneira de
abordá-la. |
|

|
|
Outono
- Lorens Bell |
|
Embora pareça ser
um detalhe simples, e mesmo óbvio a "consciência" nada tem de instintivo.
Milhares de fotografias medíocres são tiradas todos os dias porque fotógrafos de
competência técnica não estavam de todo conscientes do que exatamente desejam
fotografar, e por que motivo. "A maioria dos fotógrafos aponta a máquina e
pressiona o obturador sem usar a inteligência", assevera sem maiores rodeios, o
profissional norte-americano Philippe Halsan. "Pense primeiro, fotografe depois. O
cérebro constitui seu principal instrumento!".
|

|
|
Bonito
- juliana morelli |
|
Uma vez formulada as perguntas, as
respostas vêm com surpreende rapidez, e quem for honesto consigo próprio se encontra a
meio caminho de conseguir bons resultados. Os demais continuarão a tirar fotos inferiores
e frustrantes. |
Praticamente todos aqueles que viajam por lugares até então desconhecidos
descobrem uma infinidade de coisas capazes de despertar sua curiosidade, ao passo que em
seu ambiente de costume talvez encontrem poucos objetos de interesse: a familiaridade
tende a nos tornar desatentos.
|

|
|
Ilhabela
- Juliana Morelli |
|
A observação
cotidiana é, na realidade, uma observação distraída - algo como escutar sem realmente
ouvir - e, apesar de ser
útil para evitar esbarrões nas paredes ou tropeções em qualquer obstáculos, é
totalmente inadequada para um fotógrafo que procura tirar fotografias interessantes e
originais, pois essas exigem concentração, imaginação e prática. |
|
A princípio,
aprender a olhar com maior atenção para as cenas de todos os dias dependerá de um
esforço voluntário, porém, com a prática, deverá se transformar num hábito
mecânico. "O fotógrafo não deve nutrir suspeitas em relação a tudo que lhe é
familiar por temer a banalidade", sustentava Dorothea Lange, autora de fotos
legendárias, cujo tema eram cenas de pobreza do povo norte-americano durante a década de
30. "Ele descobrirá que o simples pode ser complexo, a miniatura gigantesca e o
insignificante decisivo".
A avaliação de
todos aspectos fundamentais combinados pode propiciar ao fotógrafo uma consciência
visual básica, sem a qual será incapaz de tirar partido de seu melhor elemento de
controle - a seleção.
|
|

|
|
Desconhecido
|
|
A capacidade para
selecionar e dispor os elementos de uma fotografia depende em grande parte do ponto de
vista do fotógrafo. Na verdade, o lugar onde decide se colocar para bater uma foto, é
uma de suas decisões mais críticas. Muitas vezes, qualquer alteração, ainda que
mínima, pode alterar de maneira drástica o equilíbrio, estrutura e a iluminação.
|

|
|
Alpes
- Juliana Morelli |
|
Nas palavras do cientista norte-americano H.J. Morton, nos primórdios da fotografia:
"O fotógrafo não tem a possibilidade, como Yurner, de criar uma cidade até então
inexistente ao redor da colina, tornando-a visível por meio de algumas pinceladas,
acrescentar depois, uma ou duas guerras a uma edificação suntuosa, ou ainda eliminar o
cume de uma montanha. Ele deve reproduzir aquilo que vê, exatamente de maneira com vê,
sendo a escolha do ponto de vista o único privilégio á sua disposição".
Por isso, torna-se
indispensável andar de um lado para o outro, aproximar-se, afastar-se da cena, colocar-se
em um ponto superior ou inferior a ela, a fim de observar o efeito produzido na fotografia
por todas essas variações.
|
| Quando se adquire
certa experiência, a escolha do melhor ângulo tende a se tornar instintiva; não
obstante, nunca devem ser ignoradas as outras alternativas disponíveis.
A composição nada
mais é do a arte de dispor os elementos do tema - formas, linhas, tons e cores - de
maneira organizada e agradável. Na maioria dos casos, não só sentimos mais prazer em
olhar uma fotografia organizada, como também maior facilidade em entendê-la. "A
composição", assinalou Henri Catier-Bresson, "deve ser uma das nossas
preocupações constantes até nos encontrarmos prestes a tirar uma fotografia- e, então,
devemos ceder lugar a sensibilidade".
|
|

|
|
Nordeste
- Juliana Morelli |
|
Texto de BUSSELLE. Michel. Tudo sobre
FOTOGRAFIA. São Paulo. Editora Pioneira. 1990.
|