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ORIENTAÇÃO NO ESPAÇO E A IMPORTÂNCIA DA NHANDÉ ROVÁI NOS
MITOS RELIGIOSOS DOS APAPOCÚVA-GUARANI DO ARARIBÁ Consuelo
de Paiva Godinho Costa1 Extraído
do endereço eletrônico, acesso em 22 de abril de 2003: http://www.ufop.br/ichs/conifes/anais/CMS/cms2201.htm#1n
Para Flávio & Antônio meu ombro leste meu coração norte sparring do dilúvio névoa de pássaros luminosos batendo boca com o abismo Roberto Piva Mairiporã, 95 II Nhamandu mirî
Aldeia Guarani “Sapucai” (Angra dos Reis) Cantada pelas crianças Guarani (CD Ñande Reko Arandu) Outras civilizações (às
quais os ditos ocidentais chamam de não-ocidentais) de história bem
diferente - como os povos indígenas da América do Sul - também
desenvolveram conhecimentos sobre orientação no espaço, astronomia2
e também, embora modestos, sobre navegação3
e esses conhecimentos lhes eram de extrema importância e valia. Tanto a orientação
espacial principal (os quatro pontos cardeais: norte, sul, leste e oeste) para
um brasileiro (p. ex.), e o seu equivalente para um índio Guarani são ambas,
basica e primordialmente, relacionadas com as dimensões do próprio corpo
humano: frente, atrás, lado direito e lado esquerdo. O sol nascente e o sol
poente são dois desses pontos principais de orientação no espaço, os
outros dois são os seus opostos. Uma diferença reside no
fato de nossa civilização ter convencionado diferentemente das civilizações
indígenas, de um modo geral, qual desses quatro pontos cardeais é a frente,
ou seja, a orientação principal. O poema de Roberta Piva (I) que serve de epígrafe
a esse estudo vem muito bem exemplificar que nossa civilização elegeu o norte
como referência para a frente do seu corpo, o rosto: “meu ombro leste/meu
coração norte”. Assim aprendemos na escola, nas aulas de Educação Moral
e Cívica. Já a civilização Guarani
convencionou, diferentemente, a frente de seu corpo como sendo o sol
nascente, o que, para nós, é o leste. Sugiro que façamos uma substituição
dos termos usados para se designar o sol nascente e o sol entrante para os
Guarani já que não faz sentido que usemos “leste” e “oeste”. Os
motivos dessa substituição são de ordem antropológica, por assim dizer, já
que as convenções culturais de orientação são diferentes. Para evitar
problemas como: para referir-se ao ponto de orientação nhandé rovái
“nossa frente”, o sol nascente, usaria-se norte (que é a frente da nossa
civilização) ou leste (que é o sol nascente e a frente para os Guarani)?
Usarei nhandé rovái. O “oeste”, então, trataremos de caarú
águi, ou “tarde entrante”. Esses termos foram usados por Curt
Nimuendaju no seu texto que trata d’ “As lendas de criação e destruição
do mundo como fundamentos da religião dos Apapocúva-Guarani”.4
Nessa obra se encontra o mito de Guyraypotý, registrado em Guarani no ano de
1912 na área indígena do Araribá5
o qual escolhi para expor algumas observações sobre a orientação espacial
para os Guarani de um modo geral e para esse grupo em especial. O mito de Guyraypotý foi
registrado pelo etnólogo alemão Curt Nimuendajú na ocasião de sua residência
e batismo pelos Nhandeva-Guarani do Araribá6,
no início do século XX. Esse mito conta a história do grande pajé Guarani
que conduziu seu povo na marcha em direção ao sol nascente (nhandé
rovái) no mar por ocasião do dilúvio universal – para ilustrar de
forma precisa as diferenças nas convenções de orientação geográfica de
uma cultura indígena, sendo para tal, impossível não falar sobre a
mitologia e base da religião Guarani em se buscar a Terra Sem Males no nhandé
rovái. A caminhada rumo a nhandé
rovái, que coincide com o sol nascente, é uma constante religiosa e
mítica dos povos Guarani a não se sabe quantos séculos. Para a nhandé
rovái seguiram e seguem os Guarani, em busca da Terra Sem Males, que
fica no além mar, porém, nesse mundo e nessa vida. Yvý marãey.
A Terra sem Males é um paraíso no qual não se precisa trabalhar, pois a
comida surge em árvores, não se morre mais e não existem laços de
parentesco (portanto, não existe incesto). Para chegar a esse paraíso - bem
diverso do cristão, diga-se brevemente - os Guarani vêem caminhando rumo à
costa do sol nascente já há muitos séculos, como pode-se verificar em mapas
de migrações dos povos Guarani. Diz a lenda que tudo começou
com o grande xamã Guyraypotý. Essa lenda Guarani conta a história do pajé
que, ao ficar sabendo, através de Nhanderuvusú (nosso pai grande), que
haveria o dilúvio, conduziu seu povo rumo ao mar para que subissem na serra
do mar Cóvae yvytý Paráry jocoá ”essa serra que segura (retém) o
mar” e se salvassem da inundação universal. Diz o texto de Nimuendajú: Guyraypotý [alguns
caracteres não serão visualizados nesta página, para uma versão fiel, veja
o documento .doc - nota do web designer] I - Ñhanderuvuçú oú yvyré,
eí Guyraypotý upé: “Pejiroquý que, ivaíta ma yvý!” Ojiroquý ma
mboapý roý rupi maápy oendú mbaeme guá ryapú: yvý oá ma oúvy, caarú
águi yvý oá. Aépy Guyraypotý guayretá upé: “Jaguatá! Ñanemõpirí
mbaeme guá ryapú!” II - Aégui oguatá, ojiói ñandé
rovái, Paráry rembépy. Ojiói árupi. Oporandú ma Guyraypotý upé
guayretá: “Cóvae pã oupí ty voí ey vae mbaeme guá?” – “Anýine,
cóvae je petei roý rupi mbaeme guá oupi vaéna.” Aépy ombaeapó tayretá. III - Roý oaça, oñendú jevý
ma mbaeme guá ryapú. Oguatá jevý. Arépy yvý ojaparó pyivé ma. Aépy
oporandú Guyraypotý rayretá: “Cóvae pã oupí ty voí vaéna pã mbaeme
guá?” – “Coãy je ivaí pojavavetá ma, coãy pembaeapó meemé je”,
eí Ñhanderuvuçú Guyraypotý upé, vaé catú je Guyraypotý omombeú jevý
guayretá upe. IV - Aépy nombaeapóvéi ma
Guyraypotý rayretá, aéno pã: “Manãe pã jaicoí vaéna?” – “Che
itý ambojecocuaá vaéna ñandévy ñanderembiúna!” Aépy ojiói jevy, mamória
ojirói ápy. V - “Pe nimbyaí ma pã?”
– “Mitã nimangá nimbyaií ma.” Aéno: “peipypirá aó chévy” Oó
aépy, ojeté mbovavá, ojoú, oitý ma avatí, jetý aveí, mbejú. Aévae
omeé ma guayretá upé. Aégui oguatá jevý, mamóra ojiói ápy. “Peúvae pã vapuru?” –
“Oroúvae.” Opyru ma yvyráre, ombojicuaá ma vapuru guayretá upé oú.
“Peejá que petei acã ñandé raquycué moñãá oú jevý vaéna.” VI - Aépy yvy ocái puiveivé
ma. Ojiói jevý, oporandú jevý Guyraypotý rayretá ichupé: “Cóvae yvý
opytá pã raé?” Aépy aipó eí guayretá upé: “Cóvae yvytý Paráry
jocoá je opytá raé vaéna je”, Aépy opytá. VII - “Coãy catú óy
pejavyquy ñandévy, yvyrapégui óy pejavy quý ñandévy, aé rami ey no je
y oúne ñandé róyomboaivae, eí Ñanderuvuçú chévy.” VIII - Aépy Guyraypotý eí
Juyperurã upé: “peipytymoi chirayretá!” – “Aipytymõ ey vae, ajapoté
canoá.” Ypéy upé: “Eipytymoi chirayretá óyre!” – “Che aipytymõ
ey vae aveí, avevé ri vaéna che.” – “Enei aéno, Çuruvá upé eí,
nde pã eripytymõ ey vae aveí chirayretá óyre?” – “Che anýne aveí.”
- “Aéno epyta, jaechá y oú ramo manãe pã ereicóne!” IX - Aégui óy ojapó ma
yvyrapégui, omombá óy, aégui ojiroquý jevý. “Pe
nepirí teine que y ojaparó mánamo, yvýytá omoroyçã arã je y oúta.”
Aégui: “Ejiroquý mboapý roý rupi”, aipó eí aguépyomaévy y ojaparó.
“Pe nepirí teíne que!” Y
oú ma, ojaparó ma. Aépy Jyperú: “Itajý chévy perú, canoá ajapotá,
aguejý ãguá!” Aégui oçapucái nimbojeré ma yryjúi ijapytépy. Ypéy
ovevéta tei, ypóry oú. Çuruvá oçapucái ma aveí “Y racó oú ma!” Eí
javé ijurú rupi y oñiñoñá ma javé ijayvucuei oó ma guyráno. XI
- Guyraypotý rajý oguerecó petei taturaý ogueraá agué. Aépy ojaoí ma
óy y. Aépy Guyraypotý rembirecó omé upé: “Ejupí óy apyté áno!” Aépy
Guyraypotý ojaeó, aépy embirecó: “Nepirí teíne que, cherú, ejipepoyupí
catú guyraretá upé. Guyrá porã aguapý ndereéroqué eupi ñandé áno
coty.” Aépy oquytáre aveavé tacua ombopú. XII - Aépy Guyraypotý oñee
ngaraí. Aépy ocûé ma óy, onimbojeré ma óy, oce ma y áno, ojupí ma,
ojiói. Omaé ma yváy roquépy, y jepé enguívae raquycuére omaé ma aveí. Guyraypotý7 Nhanderuvusú8
veio à terra e falou a Guyraypotý: - “Dancem, porque a terra vai ficar
mal”. Dançaram durante três anos, quando escutaram o trovão da destruição:
a terra vinha caindo, de onde desce a tarde9
a terra vinha caindo. Então Guyraypotý falou a seus filhos: - “Andemos! O
trovão da destruição causa medo!” Então eles andaram, andaram na
direção da nossa frente10,
em direção ao mar11.
Andaram para lá. E os filhos de Guyraypotý lhe perguntaram: - “Aqui a
destruição não chegará agora?” – “Não, dizem que aqui a destruição
chegará dentro de um ano”. Então seus filhos fizeram roça. O ano passou e escutaram
novamente o trovão da destruição. Andaram novamente. Mais rápido a terra
vinha caindo. Então, os filhos de Guyraypotý: - “A destruição vai recomeçar
agora?” – “Agora a destruição será mais rápida, não façam mais roça!”
Assim falou Nhanderuvusú para Guyraypotý e assim Guyraypotý contou a seus
filhos. Então não trabalharam mais e
os filhos de Guyraypotý perguntaram: -“Como será?” – “Eu sozinho
farei aparecer o que será nossa comida!” E caminharam novamente, caminharam
longe. •
“Vocês têm fome?” – “As crianças que estão brincando têm
fome.” Então falou: -“Estendam um pano para mim.” Então ele foi e
sacudiu o corpo e tirou do pano milho, batata e também beijú. Então deu a
seus filhos. Andaram novamente e novamente andaram longe. •
“Vocês comem jabuticaba?” – “Comemos.” Pisou contra uma árvore
e fez aparecer jabuticaba para que seus filhos comessem. – “Deixem um
galho para que possam comer os que vêem atrás de nós.” E a terra se queimava cada vez
mais rápido. Novamente começaram a andar e os filhos de Guyraypotý lhe
perguntaram: - “Esta terra vai sobrar?” Então ele falou a seus filhos: -
“Dizem que essa serra que segura o mar12
irá sobrar. E ficaram ali. •
“Agora façam um casa para nós, façam uma casa de madeira para nós,
senão, quando vier a água, a casa será destruída, me diz Nhanderuvusú.” E Guyraypotý falou ao Jyperú:
- “Ajude um pouco os meus filhos!” - “Eu não ajudo, quero fazer uma
canoa.” Ao pato selvagem: - “Ajude um pouco meus filhos a construir a
casa!” – “Eu não ajudo também pois vou voar.” – “E você –
disse ao Çuruvá – você também não quer ajudar os meus filhos a fazer a
casa?” – “Eu também não.” – “Deixe estar. Vamos ver quando vier
a água como você vai ficar!” E fizeram uma casa de madeira,
terminaram a casa, então dançaram novamente. – “Não tenham medo quando
a água chegar, dizem que a água virá para esfriar a escora da terra.”
Disse ainda: - “Dancem durante três anos.” Disse isso e a água chegou.
– “Não tenham medo!” A água veio e inundou. Então
Jyperú: -“Tragam-me um machado de pedra, quero fazer uma canoa e
embarcar!” Ele gritou e logo a espuma da água girou sobre sua cabeça. O
pato selvagem tentou voar, os seres da água o devoraram. O Çuruvá também
gritou: - “A água chegou mesmo!” Falou a água foi entrando pela sua
boca, e assim foi com os outros pássaros. A filha de Guyraypotý tinha um
filhote de tatu que havia levado consigo. E a água cobriu a casa. Então, a
esposa de Guyraypotý ao marido: - “Suba na casa!” E Guyraypotý chorou e
sua esposa falou: - “Não tenha medo, viu, meu pai, estenda os braços para
a revoada de pássaros. Se pássaros bons pousarem em você13,
então nos elevarão para o céu.” E bateu seu tacuá14
contra o esteio da casa. Então Guyraypotý cantou o
Nheeângaraí15.
E a casa começou a se mover, a casa girou, flutuou sobre a água, subiu e foi
embora. Chegaram à entrada do céu e a água chegou também logo atrás
deles. A
escolha desse mito Guarani permite verificar que o ponto de orientação geográfica
principal para essa cultura é o nhandé rovái. O nhandé rovái
é o ponto de chegada da caminhada religiosa, onde fica a Terra sem Males. Em
muitos outros costumes Guarani se observa a relevância do eixo nhandé rovái-
caarú águi16,
mais do que como ponto de orientação, como viga mestra da mitologia e da
religião desse povo. Assim escreveu Nimuendaju no
seu livro:17 “Ñanderovái
significa literalmente ‘em (i) nosso (ñandé) rosto (tová)’.
Tal designação para o leste vem, naturalmente, do fato que os Guarani
realizam todos os seus atos religioso com o rosto voltado para o sol nascente;
aliás, a posição ‘correta’ de uma pessoa ou de uma coisa, por exemplo
uma casa, é sempre com a sua parte frontal para o leste. Conformemente, o
oeste é chamado ñandé (nossas) cupé (costas) py (em).
A concepção dos antigos Tupi deve ter sido bastante semelhante à dos atuais
Guarani, caso contrário os portugueses e os europeus em geral não teriam
sido chamados de obaiguara “os que moram diante do rosto”. Me lembro um dia que, ao
conversar com um velho Guarani da área indígena do Araribá, chamado Sr.
Leocádio, sobre os rituais funerários de seu povo, me impressionei muito
quando ele me contou que o hábito dos antigos era o de sepultar o morto em pé
e com o olhar voltado para o sol entrante, para que ele pudesse acompanhar o
rumo do sol e ir para além, “para que pudesse seguir o caminho do sol”18
não ficando assim vagando na terra como um anhanguera. Ao me lembrar dessa
conversa pude ler de maneira diversa (e melhor) o outro poema que serve de epígrafe
a esse trabalho (II) Ñamamdu mirî, que é um hino dos Guarani,
cantado pelas crianças: Nhamamdu
mirî Nhamamdu
mirî Oguêrô
pu’ã Ojexaka Oguêro
guata Nhamamdu
mirî Oguêrô
pu’ã Ojexaka Oguêro
guata Oguêro
guata Pequeno sol Levando sua luz E caminhando Com sua sabedoria E com seu raio eterno. Notas 1 Mestrado em Lingüística
– Apoio: FAPESP. Universidade Estadual de Campinas. I E L – Instituto de
Estudos da Linguagem. 2 Os Guarani têm
nomes para vários astros e estrelas, nebulosas e constelações (que possuem
uma composição bem diferente. A cultura indígena (e isso não é um fato
isolado) selecionam outros desenhos no céu). 3 A navegação é, ao
menos para os Guarani, somente fluvial ou costeira. 4 Nimuendaju (1987). 5 Município de Avaí
– SP. 6 grupo com o qual
trabalho hoje, fazendo estudos lingüísticos. 7 A tradução foi
feita por Consuelo P.G.Costa, do original em Guarani, em cotejo com as traduções:
para o espanhol da CAAP(1978), para o português de Charlotte Emmerich &
Eduardo B. Viveiros de Castro(1987) e para o português de Wilmar
R.D’Angelis (1999). 8 “nosso pai
grande”. 9 No original caarú
águi. O cair da tarde, o sol entrante [caarú (tarde, de tarde) + águi
(cair, tombar)]. As traduções substituem a expressão por Oeste, o que não
se justifica, no contexto aqui colocado, devido à divergência quanto a
convenção de orientação geográfica: o Oeste seria, para a cultura indígena,
atrás e não ao lado. 10 Nimuendajú
escreveu ñandé rovái, literalmente, o nosso rosto, à nossa frente.
A etimologia é a seguinte: nhandé rovái [nhandé (nosso) + t -ová (rosto)
+ i (em)]. Outras traduções utilizam a palavra Leste, havendo para esse
casso as mesmas implicações do anterior uso de Oeste. 11 Nimuendajú
escreveu: paráry rembepy, literalmente : mar (paráry) + flexão 3ª
p. s. eles (re) + ir, andar (mbé) + para (py): “Eles caminharam para o
mar”. 12 Cóvae yvytý
Paráry jocoá, como está no original Guarani, literalmente: “Essa (Cóvae)
+ serra (yvytý) + mar (Paráry) + detém, segura (jocoá).
Essa é, sem dúvida, uma referência à Serra do Mar, presente quase na
totalidade da costa sul do Brasil. 13 Aqui novamente nos
reportamos ao poema de Piva da epígrafe: (...) “sparring do dilúvio/
névoa de pássaros luminosos”. Aliás o poeta, um grande conhecedor e
simpatizante dos saberes xamânicos, tanto afros quanto indígenas. 14 Se trata
basicamente de uma taquara de aprox. 75 cm, usado em danças rituais.
Instrumento de uso exclusivamente feminino. 15 [Nota de
D’Angelis (1999)] oñeeângaraí, como escreveu Nimuendajú, é
(segundo nota do editor peruano, com base em Cadógan): “canto ritual do que
se traslada ou se trasladou ao paraíso”. 16 Embora nhnadé
cupépy (em nossas costas) seja, ao pé da letra, o contrário de nhandé
rovái (em nossa frente), escolhi usar para o sol entrante a expressão caarú
águi, que significa o cair da tarde e é o termo usado pelo Guarani que
ditou o mito de Guyraypotý para Nimuendajú. 17 Nimuendaju (1987) página
100. 18 Essas foram as
exatas palavras de Sr. Leocádio que eu anotei no meu caderno de campo e pude
confirmar ao ouvir a fita de nossa conversa gravada. Referências
Bibliográficas C.D. Ñande Reko arandu
(Memória Viva Guarani). Projeto Memória Viva Guarani: Aldeia Jaexá Porã,
Ubatuba, SP, s/ data. CLASTRES, Hélène. Terra
sem Mal: o profetismo Tupi-Guarani. São Paulo: Editora Brasiliense, 1978. CUNHA, Manuela Carneiro da (org.)
História dos Índios no Brasil. Cia. Das Letras/FAPESP/SMC: São
Paulo, 1992. D’ANGELIS, W. R. Papéis
inimaginados da escrita. Leitura: Teoria & Prática – Campinas:
Associação de Leitura do Brasil, 1999. nº 33: 35-43. NIMUENDAJÚ,
Curt. Los mitos de creación e destrucción del mundo como fundamentos de
la religion de los Apapokuva-Guarani. Trad. J. Barnadas.
Lima(Peru): Centro Amazonico de Antropologia y Aplicación Practica, 1978. NIMUENDAJU, Curt. As
lendas de criação e destruição do mundo como fundamentos da religião dos
Apapocúva-Guarni. Trad. De Charlotte Emmerich & Eduardo B. Viveiros
de Castro. Editora Hucitec/USP: São Paulo, 1987. PIVA, Roberto. Ciclones.
Editora Nanquim: São Paulo, 1997. |